Nova Jersey homenageia Bruce Springsteen com museu
A lenda do rock Bruce Springsteen, voz daqueles que foram deixados à margem do "sonho americano" e figura-chave da oposição a Donald Trump, terá um espaço dedicado à sua obra e à história da música americana no estado de Nova Jersey, sua terra natal.
Em Long Branch, pequena cidade que foi palco do início da carreira do cantor, o prédio apresenta aos visitantes uma fachada de aço, uma homenagem ao passado industrial da região.
"As histórias que Bruce narra em sua autobiografia, "Born to Run", e nas letras de suas músicas foram fonte de inspiração para muitas das decisões arquitetônicas", explicou à AFP Jared Gilbert, sócio da empresa Cookfox, que comandou o projeto.
O Centro Bruce Springsteen para a Música Americana, que ocupa dois andares e cerca de 3.000 m², abre suas portas ao público neste sábado. O primeiro piso é dedicado aos diversos gêneros que compõem a música americana, entre eles blues, country, hip-hop e jazz.
- 'Born in the USA' -
"Sou um em uma longa fila de mensageiros", diz o artista, 76, no curta-metragem de 25 minutos que dá início à visita. O documentário se concentra nas grandes vozes de protesto, e abrange décadas e estilos: Woody Guthrie, Bob Dylan, Nina Simone, Public Enemy e Kendrick Lamar.
Os visitantes poderão contemplar dezenas de objetos históricos expostos em vitrines: uma jaqueta dourada que pertenceu a Elvis Presley, um saxofone de John Coltrane, uma guitarra de Eddie Van Halen e um chapéu de Chuck D., emprestados ao centro pelos artistas ou por seus herdeiros, contou Bob Santelli, diretor-executivo e amigo do cantor. "O nome de Bruce abre muitas portas."
A um custo de US$ 53 milhões (R$ 269 milhões), o museu foi financiado principalmente por doações, incluindo muitas de "fãs endinheirados", disse Santelli. O local também vai abrigar o arquivo pessoal de Springsteen.
Quiosques de música e telas sensíveis ao toque permitirão ao visitante navegar entre diferentes estilos e épocas. No andar superior, é narrada a história de Springsteen e de sua obra: seus primeiros shows no campus da Universidade de Monmouth (à qual o centro pertence), a formação da E Street Band, seu sucesso na década de 1970 e sua projeção internacional em 1984, com o álbum "Born in the USA".
- Biblioteca virtual -
Uma grande seção é dedicada à faixa-título do álbum, ainda considerada erroneamente um hino patriótico, apesar de ter sido escrita para denunciar o abandono pelos Estados Unidos dos veteranos da Guerra do Vietnã.
Uma biblioteca virtual reúne alguns dos livros de referência do cantor, que abandonou os estudos prematuramente e explica em um vídeo que só começou a ler de fato aos 28 anos. Já em um estúdio de gravação recriado, o visitante será convidado a mixar uma música.
Um dos artistas americanos mais críticos de Donald Trump, Springsteen encerrou no mês passado uma turnê de 20 shows pelos Estados Unidos, em que tornou cada apresentação uma plataforma contra o presidente americano, embora este último não seja mencionado na exposição.
"Nós nos esforçamos para contar uma história apolítica e apartidária", disse Santelli. "Esse tema [política] é muito importante neste país, por isso apresentamos uma nova exposição temporária, que será inaugurada juntamente com o prédio e que ficará aberta ao público por seis meses", sob o nome "Os Sinos da Liberdade: Política, Protesto e o Poder da Música".
Y.Ramivrez--GM