Economia mundial resiste em 2026 mas a incerteza persiste, alerta OCDE
A economia mundial vai resistir melhor do que o esperado às turbulências da guerra no Oriente Médio, graças aos subsídios públicos aos preços da energia e ao dinamismo dos investimentos em inteligência artificial (IA), afirmou nesta quarta-feira (23) a OCDE, que, no entanto, advertiu para um ambiente de incerteza.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico elevou em 0,1 ponto, a 2,9%, sua projeção de crescimento mundial para 2026 em seu relatório trimestral sobre a economia global.
O resultado representa uma desaceleração na comparação com o ano passado (+3,4%), atribuída ao encarecimento da energia e aos preços mais elevados, que afetam o poder de compra.
"O crescimento econômico mundial desacelerou, mas permaneceu resiliente", afirmou a instituição, que tem sede em Paris.
Como fatores de resistência, a OCDE menciona "as medidas discricionárias de apoio governamental, o uso parcial de produtos substitutos (como o carvão), o aumento da oferta não procedente das economias do Golfo e as retiradas das reservas de petróleo.
Também cita, de forma destacada, "o dinamismo persistente das atividades relacionadas à inteligência artificial".
O crescimento deve alcançar 3% em 2027 (-0,1 ponto), graças a uma redução gradual dos preços dos combustíveis e a uma queda da inflação.
Segundo a OCDE, este último indicador vai desacelerar, impulsionado em particular por um aumento das taxas de juros de referência por parte de vários bancos centrais, entre eles o BCE na zona do euro e o Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed).
- Incerteza -
A OCDE, no entanto, evita um otimismo excessivo: as perspectivas mundiais continuam dependendo da evolução da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro.
O conflito afetou o fornecimento de petróleo e gás, sobretudo devido ao bloqueio, por parte de Teerã, do Estreito de Ormuz, estratégico para o transporte de combustíveis.
O barril de petróleo voltou a ser negociado abaixo dos 100 dólares nesta semana, com a esperança de avanços diplomáticos enquanto os líderes mundiais se reúnem na Assembleia Geral da ONU em Nova York.
No atual contexto, a OCDE também aumentou as previsões para os Estados Unidos (+2,2% em 2026 e +2,1% em 2027), enquanto prevê que a China registrará uma desaceleração, a 4,5% neste ano e com crescimento de 4,2% em 2027.
Segundo o relatório, a zona do euro permanecerá firme em 2026 (1%, +0,2 ponto), impulsionada especialmente pela Alemanha (1,1%, +0,4 ponto). A previsão para a França foi reduzida para 0,4% em 2026 (-0,3 ponto).
- El Niño pressiona América Latina -
Na América Latina, a OCDE prevê que a Argentina vai perder fôlego, após o crescimento de 4,5% em 2025. A organização reduziu suas perspectivas para este ano a 2,6% (-0,2 ponto). Em 2027, o país deve avançar 3,0% (-0,5 ponto).
Ao mesmo tempo, a organização espera uma "desinflação maior na Argentina", a 30,8% neste ano, "apesar dos obstáculos impostos pelos custos de energia e fertilizantes".
As duas principais economias latino-americanas, México e Brasil, estão em melhor situação e conseguirão contornar as pressões geopolíticas.
O México lidera a melhora das perspectivas regionais, com crescimento de 1,5% (+0,7 ponto) em 2026 e 1,8% (estável) em 2027, enquanto o Brasil permanecerá relativamente sólido neste ano (2%, +0,4 ponto) e no próximo (1,9%, -0,2 ponto).
A região, assim como o resto do mundo, enfrentará sua verdadeira ameaça com os fenômenos meteorológicos extremos.
Após as ondas de calor deste verão na Europa e em outras regiões, o fenômeno El Niño, que, segundo especialistas, será o mais intenso já registrado, deve atingir o ponto máximo no fim do ano, com possíveis efeitos até 2027.
"Isto, somado a certas interrupções persistentes no fornecimento de fertilizantes provenientes do Golfo, pode ampliar as pressões de alta previstas sobre os preços dos alimentos", advertiu a OCDE.
Potencialmente, isto reduzirá "a produção agrícola nas economias mais expostas da América Latina, da África e da região Ásia-Pacífico", afirmou a organização.
D.Rodriguez--GM