Coalizão liderada pelos Estados Unidos conclui missão antijihadista no Iraque
Após mais de uma década, a coalizão internacional antijihadista liderada pelos Estados Unidos concluiu sua missão no Iraque, onde ajudou a liberar o país do grupo Estado Islâmico (EI), ao mesmo tempo em que provocou constantes atritos.
O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, celebrou nesta quarta-feira (30) o fim da missão e falou de um novo capítulo na história do país.
"Começou uma nova etapa, definida pela soberania do Iraque, pela força de suas instituições, pela preparação de suas forças, pela unidade na tomada de decisões e por alianças equilibradas com seus amigos", afirmou durante uma cerimônia.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou em um comunicado o fim oficial da operação "Inherent Resolve" no Iraque.
As forças da coalizão foram mobilizadas no Iraque e na Síria para combater o EI, que em 2014 tomou o controle de grandes faixas de território nos dois países. O grupo extremista cometeu vários massacres, dizimou a minoria yazidi e escravizou mulheres e crianças nos dois países.
Com a ajuda indispensável dos combatentes curdos e de milícias iraquianas alinhadas ao Irã, o movimento foi derrotado em 2017 no Iraque e em 2019 na Síria. As forças da coalizão, no entanto, permaneceram na região para enfrentar seus remanescentes.
Bagdá e Washington concordaram em 2024 em acabar com a missão. Os soldados iniciaram uma retirada gradual das bases no Iraque, limitando-se, no final, à região autônoma do Curdistão (norte do país).
Para o governo iraquiano, a saída da coalizão significa que as milícias pró-Irã não têm mais desculpas para manter seus arsenais.
Al Zaidi declarou 1º de outubro, o primeiro dia após a retirada da coalizão, como Dia da Soberania.
Na segunda-feira, os líderes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário elogiaram o momento como um marco que "consolida a presença do Estado e de suas instituições".
Mas advertiram que agora "é necessário enfrentar a presença de armas fora da autoridade estatal (...) de acordo com os prazos estabelecidos pelo governo".
- Plena soberania -
Zaidi, que chegou ao poder neste ano com apoio dos Estados Unidos, prometeu reforçar o controle estatal sobre as armas e garantir que as facções pró-Irã entreguem as armas ao Estado.
Inicialmente, o governo estabeleceu 30 de setembro como prazo final para o desarmamento das facções, mas depois retirou a data limite para dar espaço às negociações políticas sobre a "regulamentação" das armas, uma questão que levará tempo para ser resolvida.
Vários grupos rejeitam o desarmamento e estabeleceram como condição não apenas a retirada das tropas estrangeiras, mas também o fim da interferência política e econômica dos Estados Unidos.
O grupo Kataeb Hezbollah afirmou na segunda-feira, em um comunicado, que a saída "das forças de ocupação (...) é um primeiro passo para alcançar a plena soberania". Ao mesmo tempo, ameaçou o governo de Zaidi.
"Um governo que não trabalha pelo bem de seu povo será deposto por todos os meios possíveis", afirmou o grupo.
Durante a batalha contra o EI, a coalizão internacional e as facções pró-iranianas enfrentaram os jihadistas, seu inimigo comum.
Após a derrota do Estado Islâmico, um grupo sunita ultrarradical, a presença da coalizão virou um foco de disputa entre as autoridades iraquianas e as facções ligadas ao Irã, a grande potência xiita do Oriente Médio.
Durante a guerra no Oriente Médio, o Irã e suas milícias aliadas intensificaram os ataques contra as forças americanas na região do Curdistão. Os grupos exigiram a retirada das tropas dos Estados Unidos e atacaram os militares com drones e mísseis, o que provocou bombardeios de represália.
Os curdos de Erbil, capital da região do Curdistão, disseram à AFP que estão preocupados e querem saber quem vai proteger a área dos drones após a retirada dos aparelhos de interceptação da coalizão.
V.Benitez--GM