Presidente eleito do Chile visita megaprisão de El Salvador para 'estudar' modelo
O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, visitou nesta sexta-feira (30) a megaprisão para membros de grupos criminosos de El Salvador, para "estudar" o modelo penitenciário do presidente Nayib Bukele, um percurso que arrancou lágrimas de repórteres chilenas.
As visitas ao Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) fazem parte do protocolo para os convidados especiais de Bukele, que tornou a prisão um símbolo da luta que pacificou o país, mas também alvo de denúncias de violação dos direitos humanos.
O presidente salvadorenho, que não acompanhou a visita, vai receber mais tarde o colega eleito, de extrema direita, que chegou de helicóptero ao Cecot, prisão que visitou pela primeira vez em 2024.
"É um sistema penal diferente do nosso, que queremos estudar, conhecer e, não necessariamente, replicar da mesma forma", disse Kast na megaprisão, que abriga cerca de 15 mil detentos.
Guiado por funcionários da Presidência salvadorenha, o presidente eleito visitou as celas de um pavilhão, onde foi cumprimentado pelos detentos, que vestiam bermuda e camiseta brancas.
Em seguida, em uma das celas, autoridades pediram a alguns presos que tirassem a camiseta e mostrassem suas tatuagens. Vários deles estavam magros, e outros estavam sentados com os braços cruzados, sob um calor intenso.
Impactadas com as duras condições de reclusão, duas jornalistas chilenas choraram ao deixar o local, a 75 km de San Salvador. "Sinto pena e angústia", disse uma delas.
Os presos do Cecot são acusados de pertencer aos grupos violentos Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18, declarados terroristas pelos Estados Unidos.
Kast disse que "é preciso aprender em diferentes lugares", e que o Chile quer conhecer "as fórmulas que dão paz e tranquilidade aos países".
Os arredores do Cecot foram fortemente protegidos durante a visita.
Bukele conduz sua ofensiva sob um estado de exceção que autoriza prisões sem mandado judicial, o que levou à reclusão de inocentes, segundo ONGs que defendem os direitos humanos.
Quase 91 mil pessoas foram presas sob este regime, e cerca de 8 mil foram libertadas por falta de provas, segundo números oficiais.
Inaugurado em 2023, com um investimento de US$ 115 milhões (R$ 601 milhões), o Cecot ganhou notoriedade no ano passado, depois que os Estados Unidos enviaram imigrantes venezuelanos, que permaneceram sete meses no local.
S.Navarro--GM