Federação Holandesa de Futebol propõe cúpula sem Infantino para discutir futuro da Fifa
A Federação Holandesa de Futebol (KNVB) convocou neste domingo (30) uma cúpula internacional em Amsterdã, sem a presença de Gianni Infantino, para discutir uma reforma profunda na governança da Fifa.
Em comunicado, a KNVB afirma que a entidade máxima do futebol precisa de "uma nova liderança a partir de 2027", ressaltando que uma mudança de presidente não será suficiente.
A federação holandesa que apoiou Infantino em sua última reeleição, em 2023, afirma que baseou seu apoio na ocasião em compromissos relacionados à boa governança, aos direitos humanos, à sustentabilidade e à cooperação internacional.
"Agora chegamos a um ponto em que a confiança se perdeu", diz a nota da KNVB, que denuncia uma concentração excessiva de poder nas mãos do presidente e uma separação insuficiente entre o dirigente ítalo-suíço e a administração da Fifa.
Para a KNVB, todo o processo em torno do projeto Fifa Forward Enterprise, que acabou sendo descartado, marcou um "ponto de inflexão" em sua relação com Infantino.
Agora, pede um amplo debate sobre a estrutura da Fifa, antes de abordar a questão de seu futuro presidente.
"Primeiro, devemos determinar o tipo de Fifa de que o futebol internacional precisa", aponta a federação.
A KNVB defende uma organização "forte e com credibilidade", caracterizada por uma governança fortalecida, maior transparência e supervisão independente.
Também deseja que os direitos humanos, a sustentabilidade e o combate ao racismo e a outras formas de discriminação se tornem elementos centrais das decisões da Fifa, e que a organização reinvista uma parcela maior de sua receita no desenvolvimento do futebol mundial.
Para lançar essa reflexão, a KNVB propõe organizar uma cúpula em Amsterdã que reúna federações nacionais e confederações de todos os continentes.
"Como membro fundador da Fifa, temos uma responsabilidade especial", afirma a federação holandesa, resumindo sua iniciativa em duas etapas: "primeiro, definir a Fifa que queremos e, depois, identificar a liderança capaz de torná-la realidade".
Procurada pela AFP, a Uefa afirmou que não desejava "comentar uma correspondência que deveria ser privada" e acrescentou: "Mantemos há muito tempo uma relação de trabalho produtiva com a KNVB, a qual valorizamos muito".
W.Vidal--GM