Uber anuncia demissão de 10% de sua força de trabalho em todo o mundo
A plataforma Uber anunciou, nesta quarta-feira (2), que vai demitir cerca de 10% de sua força de trabalho como parte de uma ampla reorganização na qual também deixará dois países africanos, em plena fase de investimentos em robotáxis autônomos.
A Uber tem aproximadamente 34 mil funcionários e opera em mais de 70 países, segundo uma apresentação recente na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).
"Hoje, estamos realizando uma série de mudanças organizacionais significativas em toda a Uber", disse o diretor-executivo da empresa, Dara Khosrowshahi, em mensagem aos funcionários.
"Como resultado, reduziremos o tamanho da nossa equipe em aproximadamente 10%", acrescentou.
A empresa informou que as demissões têm como objetivo tornar a plataforma "mais simples e rápida" e reduzir os atrasos de coordenação.
"Uma organização mais ágil representará uma clareza maior na atribuição de responsabilidades, decisões mais rápidas e mais tempo dedicado a construir em vez de coordenar", destacou a mensagem.
A Uber também anunciou, nesta quarta-feira, que encerrará seus negócios na Nigéria e em Uganda, depois de ter deixado a Tanzânia no começo deste ano.
- Mais de 3 mil demissões -
Com estas mais de 3 mil demissões, a Uber busca sobretudo "eliminar níveis hierárquicos" e "simplificar as estruturas das equipes".
"Nos últimos mais de cinco anos, a Uber experimentou um crescimento exponencial (...) Nós nos tornamos uma empresa muito maior e mais sólida. Mas esse crescimento também foi acompanhado por uma complexidade maior", destacou Khosrowshahi.
Fundada em 2009, a Uber transformou o setor do transporte urbano ao entrar em mercados dominados por táxis e empresas de carros privados, permitindo que as pessoas usassem seus próprios veículos para transportar outras pessoas.
Desde então, a companhia se expandiu de forma maciça, inclusive para serviços de entrega, especialmente de alimentos e produtos de varejo, bem como para serviços de mensageiro em curtas distâncias.
Os motoristas da Uber recebem uma remuneração variável de acordo com o país, e muitos têm reclamado de não receber uma compensação adequada por seu trabalho e pelo uso de seus veículos.
A companhia encerrou completamente seus serviços em alguns países.
- Robotáxis -
"As mudanças que estamos implementando hoje têm dois objetivos: simplificar e acelerar o funcionamento da Uber, e criar uma margem de manobra maior para investir em nosso futuro", assegurou seu diretor-geral.
Analistas da Wedbush Securities avaliam que esta onda de demissões permitirá à empresa economizar cerca de 1,75 bilhão de dólares (R$ 8,97 bilhões) ao ano.
A Uber não divulgou números, mas indica que quer reorientar seu capital para "inovar" em suas "atividades principais e (...) construir o futuro da condução autônoma".
A empresa tem o projeto de desembolsar até 10 bilhões de dólares (R$ 51 bilhões) nos próximos anos em veículos autônomos, o equivalente a seu lucro líquido de 2025.
Para fazer circular robotáxis sem motoristas, já se associou a várias startups como a croata Verne e a britânica Wayve.
A plataforma também prevê comprar até 50 mil robotáxis da fabricante de veículos elétricos Rivian, com a qual fechou uma parceria.
No começo de agosto, o diretor financeiro da Uber informou que os compromissos de compra já chegam a aproximadamente 120 mil veículos de diferentes marcas.
A ação da Uber operava em alta de 2,25%, a 76,93 dólares, em Wall Street às 16h50 GMT (13h50 de Brasília).
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D.Rodriguez--GM