Trump buscará concluir sua cúpula com Xi com resultados tangíveis em comércio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscará encerrar nesta sexta-feira (15, data local) sua visita à China com avanços comerciais tangíveis nas últimas reuniões com seu par chinês, Xi Jinping, em uma cúpula marcada pelos alertas diretos do dirigente asiático sobre Taiwan.
O magnata republicano espera fechar acordos econômicos em uma série de setores, entre eles agricultura, aviação e inteligência artificial (IA), mas também avanços em questões geopolíticas, como a guerra no Oriente Médio contra o Irã.
Trump iniciou o encontro com elogios a Xi, a quem classificou como "grande líder" e "amigo", ao mesmo tempo em que afirmou que os dois países terão "um futuro fantástico juntos".
Mas, além da pompa da recepção, Xi foi direto e afirmou que ambas as potências "deveriam ser parceiras, não rivais", além de mencionar a questão de Taiwan, uma ilha autônoma e de regime democrático que Pequim reivindica como parte de seu território.
"A questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações entre China e Estados Unidos", disse Xi, segundo declarações publicadas pela imprensa estatal chinesa.
"Se for mal administrada, as duas nações podem colidir ou até entrar em conflito, o que empurraria toda a relação entre China e Estados Unidos para uma situação muito perigosa", acrescentou durante a reunião, que durou cerca de duas horas e 15 minutos.
Trump não fez referência à situação de Taiwan nesta quinta-feira, mas o secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou à CNBC que o presidente fará mais comentários "nos próximos dias".
No entanto, o presidente republicano abordou outro tema crítico: o conflito com o Irã. Em entrevista à Fox News, afirmou que Xi lhe assegurou que a China não estava se preparando para oferecer ajuda militar a Teerã.
Trump também respondeu a um comentário de Xi em referência à "armadilha de Tucídides", uma teoria política segundo a qual a probabilidade de uma guerra aumenta quando uma nova potência emergente compete com uma grande potência estabelecida.
Xi, contudo, afirmou que Estados Unidos e China poderiam "transcender" esse perigo.
Em uma publicação nas redes sociais na madrugada de sexta-feira, Trump disse que Xi "se referiu de maneira muito elegante aos Estados Unidos como uma nação talvez em declínio".
Acrescentou que Xi não se referia aos Estados Unidos sob seu mandato, que segundo ele viviam uma "ascensão incrível", mas sim ao país sob seu antecessor, Joe Biden.
"Há dois anos, de fato, éramos uma nação em declínio", publicou Trump em sua rede Truth Social. "Agora, os Estados Unidos são a nação mais em evidência do mundo, e esperamos que nossa relação com a China seja mais forte e melhor do que nunca!"
Ele afirmou que Xi o "parabenizou por tantos sucessos tremendos".
- O poder dos executivos -
Espera-se que nesta sexta-feira Trump concentre as conversas no comércio. Ele está acompanhado por uma série de líderes empresariais americanos, entre eles Elon Musk, da Tesla, e Jensen Huang, da Nvidia.
Em sua participação na Fox, o presidente pareceu anunciar um dos grandes acordos comerciais ao dizer que a China havia concordado em comprar aviões da Boeing, "200 dos grandes".
As ações da gigante aeronáutica americana caíram após os comentários de Trump, em um sinal de que o mercado esperava uma compra mais robusta por parte da China.
Bessent também afirmou nesta quinta-feira à CNBC que os dois dirigentes discutiram o estabelecimento de um marco de segurança para o uso da IA.
O secretário do Tesouro destacou que as "duas superpotências mundiais da IA vão iniciar um diálogo", em um momento em que os Estados Unidos seguem impondo à China controles de exportação sobre produtos de tecnologia de ponta.
A relação bilateral entre os dois gigantes atravessou momentos de forte tensão desde a visita anterior de Trump, em 2017, com os dois países envolvidos em uma guerra comercial durante grande parte de 2025 por causa da ofensiva tarifária americana e de múltiplos desacordos em temas globais.
Em questões geopolíticas, as duas maiores economias do mundo divergem em conflitos como a guerra conduzida por Israel e pelos Estados Unidos no Oriente Médio, um tema vital para a China devido ao bloqueio imposto pelo Irã ao trânsito no Estreito de Ormuz, que afeta as exportações globais de hidrocarbonetos, incluindo as cargas compradas por Pequim.
A Casa Branca afirmou em um breve comunicado que os dois líderes "concordaram que o "Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para favorecer a livre circulação de energia".
B.Rojas--GM