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Koreeda apresenta ode ao mangá no Festival de Veneza
Koreeda apresenta ode ao mangá no Festival de Veneza / foto: Tiziana FABI - AFP

Koreeda apresenta ode ao mangá no Festival de Veneza

Entre cadernos, canetas e esboços, o cineasta japonês Hirokazu Koreeda conta uma história de amizade em "Look Back", que concorre no Festival de Veneza, e presta uma emocionante homenagem ao mangá.

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Adaptado de um famoso mangá, o filme acompanha duas meninas de uma pequena cidade japonesa que sonham em se tornar desenhistas. Embora inicialmente se vejam como rivais, as duas acabam unindo forças para criar histórias em quadrinhos.

Ao longo das estações, as meninas aperfeiçoam seus desenhos e desenvolvem novas técnicas, que Koreeda mostra em detalhes.

O som tem papel essencial, especialmente o ruído das canetas e dos lápis de carvão sobre o papel e, mais tarde, das canetas digitais nas telas.

"O som foi muito importante porque o usei para explicar como a história delas ia mudando", afirmou à imprensa o cineasta japonês, vencedor da Palma de Ouro em Cannes por "Assunto de Família" (2018).

Do mangá original, de Tatsuki Fujimoto, o elemento visual que mais chamou a atenção de Koreeda foi a imagem recorrente das meninas de costas enquanto desenham.

A história "se concentra nas costas dessas meninas e simplesmente muda o ambiente ao redor delas. Este talvez seja o mangá mais cinematográfico que ele já fez", afirmou Koreeda.

"Look Back" também ganhou uma adaptação para anime em 2024.

Esta não é a primeira vez que o cineasta japonês leva um mangá às telas. Koreeda já fez isso com "Air Doll" (2009) e "Nossa Irmã Mais Nova" (2015).

Leitor assíduo de mangás, o diretor contou que, durante sua infância, era comum ouvir que não era bom ler apenas esse tipo de publicação.

"Cresci lendo mangás - começando, é claro, por Osamu Tezuka - e me tornei adulto com essas histórias. Hoje, muitas pessoas consideram que ler mangá é como ler literatura", afirmou.

O prolífico diretor, que em maio disputou o principal prêmio do Festival de Cannes com "Sheep in the Box" e agora concorre em Veneza com "Look Back", disse que consegue trabalhar com até três filmes na cabeça ao mesmo tempo.

Ter dois projetos, explicou, "pode ser bastante saudável, porque você tem dois lugares para onde levar a mente".

U.Solana--GM